O Vinho do Porto e a sua história
O Vinho do Porto é produzido numa região situada nas margens do curso médioe superior do rio Douro, com terrreno muito apropriado e clima muito favorável, que contribuem para a produção dum vinho de qualidade elevada apreciado no mundo inteiro. A cultura desta vinha remonta tempos pré - históricos, tendo grande incremento com a ocupação romana. Depois da fundação da nacionalidade o seu valor e importância continuaram como demonstram forais concedidos por alguns reis a certas vilas situadas nas margens do rio Douro. A sua exportação começou a partir do seculo XIII, originariamente para França e mais tarde para outros países, inclusivé Africanos, Brasil e Indias Orientais, o que demonstra a sua importância na economia do País. Entre o Vinho do Porto em geral salientam-se várias castas, cada uma com a sua característica particular. O transporte das pipas de vinho fazia-se através deste rio, por meio dos chamados barcos rabelos, até perto da foz, onde na margem de Vila Nova de Gaia se instalaram várias casas exportadoras. A partir dos finais do século XVII - época pré - pombalina - a Inglaterra constitui-se o principal consumidor. A certa altura a procura era superior à oferta. Mais tarde seguiu-se uma baixa de qualidade com consequente queda de preços que levaram à ruina algumas explorações. Seguidamente, durante o governo de Marquês de Pombal, no ano de 1756 foi instituida a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro ( C. G. A. V. A. D. ) a qual se bateria pela defesa da qualidade do produto e por um preço razoável e acessível ao consumidor em geral. Esta companhia ficou encarregada de determinar qual o vinho próprio para exportação e qual o que era próprio só para consumo interno.
Além disso, encarregou-se de fazer a demarcação da área onde o vinho poderia ser cultivado, obrigando à constituição dum cadastro das vinhas; surge assim a região demarcada mais antiga do mundo. A A. G. A. V. A. D. , tinha a competência para fixar preços do vinho, de acordo com a sua qualidade, desde a cidade do Porto até à Região Douriense. Concomitantemente tinha poderes para aplicar penas pesadas aos infractores. Após a morte do Rei D. José, surge a época pós- pombalina (1777 - 1810), dando-se uma viragem, com a retirada de alguns previlégios à companhia, perdendo esta o monopólio da sua comercialização. A Inglaterra continuou a ser o principal cliente deste vinho. Com o liberalismo ( 1811 - 34 ) e as invasões francesas houve uma certa instabilidade nos mercados e além disso reclamava-se a extinção da companhia e seus previlégios. Esta instituição é extinta pela Rainha D. Maria II e entra-se em regime liberal de comércio ( 1834 - 37 ). É imposta maior disciplina no sentido da defesa da qualidade do vinho e do seu prestígio. Com este regime ao contrário do que se pretendia, registam-se grandes prejuízos ao nível do comércio, com baixa de preços. Entre 1838 - 65 surge um período de reabilitação da companhia. No entanto a produção continuava excedentária e com bastante má qualidade. Em 1851 uma doença nova, o oídio, atacava as vinhas reduzindo-se a produção com a elevação dos preços. Logo após o combate eficaz a essa doença, a produção voltou a subir de novo e a qualidade baixou. Neste entretanto a companhia foi extinta definitivamente em 1865. A partir dessa data as exportações aumentaram regularmente. Mais tarde surgiu nova praga, que atacou as vinhas, a filoxera, reduzindo de novo a produção. Posteriormente surgiu o míldio, doença que dizimou muitas vinhas. Além destas doenças, tentativas de usurpação da denominação de origem agravaram a economia do vinho e da região sua produtora. Em 1907 João Franco inicia uma defesa da marca "Porto ", demarca a região produtora, e reserva a barra do Douro para a sua exportação. Para tal cria a comissão de viticultura da Região Douriense (C.V.R.D.) , que com a Alfândega do Porto, exerciam as funções executivas e fiscalizadoras indispensáveis. Desde então a demarcação feita, com uma ligeira alteração em 1921, é a que ainda hoje existe. Nessa altura foram aprovados regulamentos para garantir a genuinidade do vinho, definem-se as características do mesmo, assim como se exige uma permanência mínima no país antes da exportação. Em 1926 é criado o entufposto de Gaia - verdadeiro prolongamento da região produtora - onde todo o comércio, agora com carácter exclusivo e obrigatório, congrega os armazéns de amadurecimento do vinho. De 1932 em diante, os vinhos eram pagos por vezes tarde e a preço baixo. A oferta excedia a procura. Os prejuizos das vinhateiras eram notórios. São regulamentadas as actividades da produção e comércio do Vinho do Porto. A primeira destas actividades foi organizada em grémios que constituiam a Federação dos Viticultores da Região do Douro (Casa do Douro); a segunda (o comércio) cria o Grémio dos Exportadores do Vinho do Porto (G. E. V. P.). Em 1933 cria-se o Instituto do Vinho do Porto(I. V. P), organismo oficial independente dos interesses da produção e comércio com o objectivo de defender os superiores interesses da economia do Vinho do Porto. O Vinho do Porto após 1974 viu a sua estrutura administrativa remodelada. A Casa do Douro, o Instituto do Vinho do Porto e o Grémio dos Exportadores do Vinho do Porto mantiveram- -se até então, conjuntamente com uma nova instituição - a Comissão Inter-Profissional da Região Demarcada do Douro.
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