Saúde mental e humanidades em debate no simpósio virtual internacional Composing Worlds 2026

Nos dias 28 e 29 de abril realizou-se o Composing Worlds 2026: International Virtual Symposium on Mental Health, Humanities and Nature, promovido pela Universidade Fernando Pessoa.

O Simpósio inscreve-se no trabalho desenvolvido pela rede Compor Mundos. Humanidades, Bem-Estar e Saúde, sediada na Fundação Fernando Pessoa. Este encontro internacional surge num contexto marcado por profundas transformações sociais, políticas, ambientais e epistemológicas, que tornam cada vez mais evidente a insuficiência de abordagens fragmentadas à saúde mental.

O foco do Composing Worlds 2026 situou-se precisamente nesta pluralidade de dimensões. Procurou-se compreender como os processos biológicos e evolutivos se articulam com os contextos culturais; como as experiências subjetivas são moldadas por estruturas sociais e simbólicas; como a relação com o mundo natural, hoje profundamente alterada, se reflete em novas formas de sofrimento, mas também em possibilidades de regeneração; como o corpo e a mente estão interligados na produção dos estados mentais; e como as novas violências se tornam objetos cívicos.

Neste horizonte, as humanidades desempenham um papel essencial, não apenas como campo de interpretação, mas também como espaço de criação de sentido, de imaginação ética e estética e de elaboração simbólica.

O simpósio reuniu investigadores e profissionais de diferentes áreas e geografias, que refletiram sobre novos enquadramentos conceptuais e práticos para a saúde mental num mundo em profunda transformação.

No dia 28, a conferência inaugural enfatizou a importância das humanidades e da linguagem para o bem-estar social e individual, focando a atual situação política. Os painéis seguintes abordaram temas como a importância da literatura e dos projetos culturais para o bem-estar pessoal e coletivo; a perda da relação com a temporalidade natural e a importância de recuperar socialmente os diversos ritmos biofisiológicos; a interseccionalidade na problemática de género, tanto no feminino como no masculino, em Portugal e no Brasil; e, finalmente, a forma como o crime deve ser entendido numa perspetiva do desenvolvimento, bem como as instituições que atualmente enquadram a violência doméstica em Portugal.

O dia 29 abriu com um painel dedicado à Inteligência Artificial, à psicoterapia e à construção do self através de dispositivos digitais, abordando ainda temas relacionados com o desenvolvimento infantil, a intervenção precoce e os direitos das crianças, assim como a relação corpo-mente nos processos interoceptivos, psicopatológicos e na doença crónica.

O simpósio terminou com um painel sobre o futuro da investigação em saúde mental, no qual se reforçou a importância da presença humana face aos recursos digitais, bem como o olhar clínico atento ao detalhe que apenas um encontro presencial permite.

A conferência do Presidente da Fundação Fernando Pessoa, Professor Salvato Trigo, encerrou os trabalhos com uma reflexão sobre o poder da linguagem e da cultura e sobre o papel da rede Compor Mundos da Universidade Fernando Pessoa na sua promoção.

O Composing Worlds 2026 contribuiu para consolidar o papel da Fernando Pessoa como promotora de pensamento crítico, investigação interdisciplinar e cooperação internacional nas áreas da saúde mental, humanidades e bem-estar.

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