A aula aberta “Prisões que Aprendem: gestão do conhecimento penitenciário no Brasil e os desafios da política criminal contemporânea”, partirá da tese de que o sistema penitenciário deve ser compreendido não apenas como espaço de cumprimento de penas, mas também como uma organização complexa, produtora de dados, informações, experiências e conhecimentos.
Nesse sentido, propõe-se a perspetiva das “Prisões que Aprendem”, compreendidas como organizações capazes de identificar, produzir, sistematizar, armazenar, compartilhar e aplicar o conhecimento produzido pelos seus diferentes atores, transformando-o em ativo institucional para subsidiar processos de decisão, inovação e formulação de políticas públicas.
A palestra apresenta como objetivos discutir as principais tensões e contradições da política criminal brasileira contemporânea; apresentar o sistema penitenciário como uma organização produtora de conhecimento; discutir a gestão do conhecimento como instrumento de aprendizagem e inovação institucional; refletir sobre o papel da educação em serviços penais na construção de organizações penitenciárias capazes de aprender, e relacionar essa perspectiva às alternativas penais e aos desafios de construção de respostas ao crime que reduzam a centralidade da prisão.
A aula será ministrada pelos Professores Mazukyevicz Nascimento e Tâmisa Rúbia (Escola de Gestão Penitenciária da Paraíba).
Nesse contexto, o diálogo entre Brasil e Portugal constitui uma dimensão relevante da reflexão, especialmente pela possibilidade de aproximação entre diferentes experiências, modelos institucionais e práticas de educação e gestão no campo penal. A aproximação entre a Escola de Gestão Penitenciária da Paraíba e a Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Fernando Pessoa é compreendida, nesse sentido, como espaço de intercâmbio académico e institucional, capaz de favorecer a circulação de conhecimentos, experiências e práticas entre profissionais, pesquisadores e estudantes dos dois países. Mais do que estabelecer comparações normativas entre sistemas distintos, o diálogo Brasil-Portugal permite explorar como diferentes contextos podem produzir aprendizagens recíprocas e contribuir para a construção de novas perspetivas sobre a gestão penitenciária, a formação profissional e as políticas de prevenção e resposta ao crime.
A aula aberta decorrerá na Sala A1 no Edifício Sede, das 15h30 às 17h00, e destina-se a alunos de Criminologia e Psicologia da Justiça.
Entrada gratuita.


