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FEELab da UFP apresenta estudo feito ao longo de 20 anos e conclui que a Face é um Biomarcador das Doenças Neurodegenerativas

Um estudo pioneiro com mais de duas décadas de investigação desenvolvido pelo Laboratório de Expressão Facial da Emoção, da Faculdade de Medicina, da Universidade Fernando Pessoa (FEELab), conclui que a face humana funciona como um biomarcador precoce das doenças neurodegenerativas, abrindo caminho a uma nova abordagem no diagnóstico, monitorização e compreensão clínica destas patologias. Os resultados são apresentados no livro “Biomarcadores Faciais das Doenças Neurodegenerativas”, lançado esta terça-feira no Porto, pelo Professor Doutor Freitas-Magalhães, diretor do Laboratório de Expressão Facial da Emoção, da Faculdade de Medicina, da Universidade Fernando Pessoa.

A investigação demonstra que as neuromicroexpressões – respostas faciais automáticas, rápidas e involuntárias – constituem indicadores sensíveis da disfunção neural, frequentemente anteriores aos sinais cognitivos clássicos. De acordo com o coordenador do estudo, a face deixa de ser apenas um meio de expressão para se afirmar como um verdadeiro “mapa vivo da neurodegeneração”.

“A face é mais do que um reflexo da emoção, é um arquivo vivo da atividade cerebral. As alterações nas neuromicroexpressões podem revelar as disfunções neuronais numa fase extremamente precoce, antes mesmo dos sintomas clínicos evidentes”, afirma o Professor Freitas-Magalhães. Ao contrário dos métodos tradicionais, como os exames de imagem ou testes cognitivos, esta abordagem propõe uma solução não invasiva, acessível e contínua, baseada na análise sistemática da expressão facial através do F-M FACS 6.0. “Estamos perante uma mudança de paradigma: a possibilidade de observar o cérebro através da face, em tempo real e em contexto natural”, acrescenta.

O estudo identifica padrões faciais específicos associados às diferentes doenças neurodegenerativas estudadas:

– Doença de Alzheimer: redução progressiva da expressividade e diminuição das neuromicroexpressões;
– Doença de Parkinson: hipomimia (face em máscara) e dissociação entre emoção e expressão;
– Demências Frontotemporais: desregulação emocional e expressões descontextualizadas;
– Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA): limitação motora com possível preservação emocional inicial.

“Cada doença tem uma assinatura facial própria. A face permite não apenas detetar a doença, mas também diferenciá-la com base nos padrões expressivos”, explica o o Diretor do FEELab/UFP.

A investigação aponta para múltiplas aplicações:

– Diagnóstico precoce de doenças neurodegenerativas;
– Monitorização longitudinal da progressão clínica;
– Avaliação da resposta a tratamentos;
– Melhoria da comunicação clínica com doentes;
– Integração com inteligência artificial para análise automatizada.

“A análise facial poderá tornar-se uma ferramenta central na prática clínica, complementando os métodos tradicionais e oferecendo uma leitura contínua e ecológica do estado cerebral”, sublinha Freitas-Magalhães.

O trabalho será também apresentado pelo Professor Freitas-Magalhães no 21st IASP World Congress on Pain, em Bangkok, Tailândia, reforçando o reconhecimento internacional da investigação desenvolvida em Portugal. “Este é um contributo científico com impacto global, que posiciona Portugal na vanguarda da neurociência da emoção e da expressão facial”, afirma o autor.

O estudo conclui que a expressão facial da emoção constitui um reflexo direto da integridade dos sistemas cerebrais, sendo possível transformar a face num biomarcador clínico robusto, sensível e aplicável em larga escala.

“A face emerge como uma interface privilegiada entre o cérebro e o mundo. Compreendê-la é compreender a doença, e, potencialmente, antecipá-la”, conclui o Professor Freitas-Magalhães.

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