Curso livre – Jornalismo Visual, Plataformas e Inteligência Artificial
Formato e-learning • 10, 12, 17 e 19 de novembro de 2026

O curso livre em formato e-learning “Jornalismo Visual, Plataformas e Inteligência Artificial”, propõe uma reflexão crítica sobre o papel das imagens no jornalismo contemporâneo, considerando os impactos das plataformas digitais, dos algoritmos e das inteligências
artificiais na produção, circulação e interpretação da informação. Partindo da compreensão da imagem como operador central de verdade, credibilidade e disputa simbólica, analisa-se a transição da fotografia documental para a “ditadura do formato vertical” (TikTok e Instagram Reels), investigando como o consumo rápido e o imperativo do engajamento afetam a atenção e o debate público.

Nos dias 10, 12, 17 e 19 de novembro de 2026, das 17h00 às 21h00, este curso examina os regimes de visibilidade produzidos por dispositivos de mapeamento e plataformas, com atenção à representação de territórios, aos processos de apagamento simbólico e à geografia das mídias. Discute-se a desinformação visual, o uso de IA generativa em contextos eleitorais e as ecologias visuais na era digital. A proposta articula referenciais da Cultura Visual e do Jornalismo com a análise de casos empíricos e exercícios práticos de leitura crítica e criação de contra-narrativas.

A Professora Renata Cavalcante será responsável por ministrar o curso. Renata Cavalcante de Oliveira é pesquisadora, professora de artes, audiovisual e artes visuais, criadora de imagens/instalações visuais.

O curso destina-se a docentes, discentes e outros colaboradores da Universidade Fernando Pessoa.

As inscrições, em formato online, decorrerão até ao dia 25 de outubro de 2026. 

Realizar inscrição aqui

Inscrição gratuita, não inclui certificado de participação.

Inscrição no valor de 10€, inclui certificado de participação.

Nota: a realização do curso fica sujeita a um mínimo de dez inscrições.
Antes das sessões, o devido link de acesso a cada sessão será enviado por email aos inscritos.

 

PROGRAMA

Sessão 1 — 10 de Novembro (Terça-feira): Do Documento à Agência: Transformações da Imagem Jornalística

Descrição: Analisa a transição da imagem como prova e evidência documental no jornalismo para a sua agência e materialidade na era digital, percorrendo a história do olhar e as transformações do suporte técnico.

● A imagem como fonte, prova e documento: credibilidade e ética no jornalismo (Benjamin, Barthes e Crary).
● Do obturador ao smartphone: o celular como ferramenta de captura e a espetacularização da intimidade (Santaella e Sibilia).
● Da representação à agência: o espetáculo e o desejo das imagens na cena pública (Debord e Mitchell).
● Escavação e materialidade das mídias: arqueologia dos suportes e regimes de visibilidade (Parikka e Azoulay).

Sessão 2 — 12 de Novembro (Quinta-feira): Plataformas, Cartografias e Representação dos Territórios

Descrição: Examina como os algoritmos das plataformas digitais e os dispositivos de mapeamento automático moldam a circulação de notícias e afetam a representação do espaço urbano e de sujeitos periféricos.

● Plataformas como mediadoras: algoritmos, economia do engajamento e a arquitetura da atenção (Gillespie e Byung-Chul Han).
● Cartografias e vigilância: Google Maps, Street View e o panoptismo automatizado no mapeamento do real (Foucault e Latour).
● Estigmatização de territórios e ecologias da mídia: as contribuições de Iliana Esperanza Hernández García e Milton Santos.
● Imagens técnicas e Teoria Ator-Rede: redes de atores humanos e não-humanos na notícia (Latour, Barad e Flusser).

Sessão 3 — 17 de Novembro (Terça-feira): A Ditadura do Formato Vertical, IA e Desinformação

Descrição: Investigam-se os impactos do enquadramento vertical (TikTok/Reels), a desinformação em cenários políticos e os desafios éticos da IA generativa e dos conteúdos sintéticos na credibilidade jornalística.

● A “Ditadura do Formato Vertical”: consumo rápido, perda da atenção sustentada e o telejornalismo no TikTok (Kneipp & Oliveira; Crary).
● Desinformação e ecossistema eleitoral: memes, imagens fora de contexto e a disputa pela confiança pública (Wardle).
● IA generativa e o “efeito de verdade”: deepfakes, simulações e a fabulação crítica na imprensa (Floridi e Haraway).
● Hibridização e a “fenomenologia do like”: o conflito entre o interesse público e a tirania do engajamento (Han e Bucci).

Sessão 4 — 19 de Novembro (Quinta-feira): O Direito de Olhar, Ecologias Visuais e Contra-Narrativas

Descrição: Explora o “direito de olhar” e as ecologias visuais como ferramentas de emancipação, culminando numa oficina prática de desconstrução de enquadramentos e criação de contra-narrativas jornalísticas.

● O Direito de Olhar (The Right to Look): visualidade, poder e a ruptura com regimes de invisibilidade (Nicholas Mirzoeff).
● Ecologias Visuais e Proliferação: a circulação e o enraizamento dos fluxos visuais no ecossistema das plataformas.
● Leitura crítica e “imagens pobres”: a força das estéticas de resistência e do registro popular (Hito Steyerl).
● Oficina de Contra-Narrativas: exercício prático coletivo de reinterpretação e reenquadramento de histórias e territórios estigmatizados.

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