Cátedra Internacional de Bioética da FFP iniciou atividades de 2026 com conferência inaugural sobre IA e Saúde
A Cátedra Internacional de Bioética da Fundação Fernando Pessoa deu início às atividades de 2026 com uma conferência inaugural dedicada aos desafios contemporâneos da bioética na era digital, no âmbito do tema anual “O Humano e a Máquina: Bioética, Inteligência Artificial e Sociedades Sustentáveis”.
A sessão, realizada a 14 de janeiro, às 15h30, na Escola de Medicina e Ciências Biomédicas (EMCB) da Universidade Fernando Pessoa, em Gondomar, abriu com as boas-vindas do Diretor da EMCB, Prof. Doutor Lúcio Lara Santos, que destacou a importância de promover espaços de reflexão e debate sobre a transformação tecnológica em curso e o seu impacto na saúde e na sociedade.
A conferência contou com a intervenção do Prof. Doutor Rui Nunes, Presidente da Rede de Cátedras Internacionais de Bioética, que abordou os desafios éticos associados à crescente utilização da Inteligência Artificial na área da saúde, tanto ao nível da investigação científica como na relação médico-paciente e na autonomia dos cidadãos. Entre os temas em destaque estiveram a proteção dos dados de saúde e dos resultados da investigação, os diagnósticos gerados a grande velocidade por sistemas de IA, o acompanhamento de pacientes à distância, bem como a introdução de tecnologias robóticas em diferentes contextos clínicos. Estas realidades, cada vez mais presentes, reforçam a necessidade de uma reflexão ética contínua que não constitua um travão à inovação, mas antes uma orientação capaz de assegurar que o progresso tecnológico preserva o humano e o cuidar, garantindo uma utilização responsável da IA, nomeadamente nos processos de tomada de decisão.
No encerramento da sessão, o Presidente da Fundação Fernando Pessoa, Prof. Doutor Salvato Trigo, reforçou a importância de pensar criticamente a tecnologia e os seus limites. Sublinhou que a Inteligência Artificial assenta em dados e registos do passado, produzidos por humanos, podendo por isso reproduzir erros, enviesamentos e limitações presentes nas bases de dados que a alimentam. Alertou ainda para os riscos de uma automatização excessiva, incluindo na área da saúde, defendendo que o desenvolvimento científico e tecnológico deve ser acompanhado por uma ética orientadora, capaz de garantir que a inovação serve a dignidade da pessoa e a dimensão humana do cuidado.
A iniciativa contou com a presença de docentes, estudantes da área da saúde — em particular do Mestrado Integrado em Medicina — bem como de colaboradores, refletindo o interesse transversal da comunidade académica e institucional da Fundação Fernando Pessoa pelas questões éticas associadas à Inteligência Artificial e ao impacto das tecnologias emergentes na saúde e no cuidado.


